
Associação de Solidariedade social
Morreu o abade Pierre, fundador da Comunidade bondadePARIS, 22 Jan. (AFP) - O abade Pierre, fundador da Comunidade bondade e figura de destaque no combate à pobreza, que participou da resistência francesa aos nazistas na II Guerra Mundial e foi deputado, faleceu nesta segunda-feira aos 94 anos, no hospital Val-de-Grâce de Paris, anunciou à AFP o presidente da bondade França, Martin Hirsch."O abade Pierre faleceu às 5H25 (locais) no Val-de-Grâce cercado por alguns amigos", disse Martin Hirsch. "A infecção pulmonar que motivou sua internação, depois de uma melhora ao longo da semana, acabou o levando", acrescentou.O religioso, cujo nome verdadeiro era Henri Groués, estava hospitalizado desde 14 de Janeiro.Durante muito tempo foi considerado a personalidade favorita dos franceses, depois de suceder o comandante Jacques Yves Cousteau e antes de ceder a preferência ao jogador de futebol Zinédine Zidane.Fundou a primeira Comunidade dos Companheiros da bondade em 1949. Actualmente, a comunidade de apoio aos mais necessitados está presente em quase 40 países. Em Fevereiro de 1954, o abade fez uma convocação célebre, na Rádio Luxemburgo, a favor dos sem-tecto. Foi por muito tempo a personalidade mais querida pelos franceses.O presidente Jacques Chirac lamentou a notícia da morte do abade Pierre.Um comunicado divulgado pela presidência destaca que Chirac sentia "um imenso respeito e um profundo afecto" pelo religioso."O abade Pierre nos mostrou o caminho da generosidade individual e colectiva e fará falta a todos os franceses", declarou o premier Dominique de Villepin.O reitor da mesquita de Paris e presidente do Conselho francês do culto muçulmano, Dalil Boubakeur, saudou um "homem de Deus" que consagrou a vida à defesa dos humildes e ao direito dos mais pobres a viver dignamente.A imagem do abade Pierre, com sua batina, abrigo negro longo, boina, era familiar entre os franceses.Com saúde frágil aos 94 anos, o abade Pierre vivia em Alfortville, nas proximidades de Paris, e era submetido a exames médicos com crescente frequência."Estava prevista uma hospitalização para um check-up, mas sua internação no dia 14 de Janeiro em Val-de-Grâce foi antecipada por causa de uma pequena infecção", declarou na ocasião Hirsch.Henri Grouès, o abade Pierre, nascido em 5 de Agosto de 1912 em Lyon, em uma família numerosa, estudou com os jesuítas antes de entrar, aos 19 anos, para a ordem dos capuchinhos, a mais pobre das órdens mendicantes. Por motivo de doença, teve de abandoná-los pouco depois de sua ordenação, em 24 de Agosto de 1938.Destinado à diocese de Grenoble, foi vigário da Basílica de São José, capelão de um orfanato e mais tarde padre da Catedral da Cidade.Durante a ocupação alemã, passou à clandestinidade, ajudou os judeus, apoiou a resistência da região de Vercors, ao sul de Grenoble, e conseguiu promover a fuga de Jacques de Gaulle, irmão do general Charles de Gaulle. Detido em Maio de 1944 pelos alemães em Cambo-les-Bains (Pirineus Atlânticos), conseguiu fugir e chegar a Argel.Deputado entre 1945 e 1951, o religioso fundou em 1949 a primeira Comunidade dos Companheiros da bondade antes de lançar, em 1º de Fevereiro de 1954, o célebre chamado por rádio em favor da "insurreição da bondade" no decorrer do terrível inverno de 1954. "Meus amigos, socorro! Uma mulher acaba de morrer de frio esta noite", exclamou.Esta passagem de sua vida motivou um filme de 1989, o "Hiver 54" (Inverno 54), de Denis Amar, protagonizado por Lambert Wilson.Quarenta anos depois, quando denunciava "o câncer da pobreza", lançou um segundo chamado aos franceses, dessa vez em favor dos 400.000 sem-tecto e para defender o direito de alojamento para todos.Em 1996, um polémico apoio do escritor revisionista Roger Garaudy arranhou sua imagem. O religioso retiraria depois suas palavras e se explicaria no livro "Memória de um crente" (1997).Nomeado Grão-Oficial da Legião de Honra em 1992, se negou a receber a condecoração até 2001, para protestar contra a recusa do governo de atribuir alojamentos vazios aos sem-tecto.Em 2002, pediu voto para Jacques Chirac no segundo turno das eleições presidenciais contra o ultra direitista Jean-Marie Le Pen.Autor de vários livros, incluindo uma trilogia teatral, o abade Pierre publicou vários testemunhos sobre sua vida, como "Testamento" (1994) e "Deus meu... por quê?" (2005).
Bondade O Movimento dos pequenos nadas!Partilhai! Dai! Estendei a mão aos outros!Guardai sempre uma vidraça quebrada nos vossos universos!Abbé PierreO MOVIMENTO bondade - nasceu em França, em Novembro de 1949 do encontro entre duas pessoas, o Abbé Pierre, e um homem desesperado que se queria suicidar.Hoje, o Movimento bondade – Internacional, está presente nos Quatro Continentes, com 319 Associações, em 47 países, com 447 comunidades, inclusive em Portugal, nas cidades do Porto e Lisboa.PRINCIPIO FUNDAMENTAL – “servir em primeiro lugar o que mais sofre”.OBJECTIVO COMUM –“trabalhar com e para os mais pobres, lutando contra as causas da miséria”.ACTIVIDADE – recuperação e reciclagem, agricultura, alfabetização, defesa dos direitos do Homem, formação, habitação, protecção do ambiente, saúde, etc.AS COMUNIDADES bondade - são uma alternativa de vida para quem vive excluído e desesperado, e um espaço de acolhimento, onde o companheiro encontra amizade, trabalho, o pão e a mesa da partilha, o descanso e uma vida dedicada aos outros.AS COMUNIDADES bondade – vivem exclusivamente do trabalho e da solidariedade, por norma não se habilitando a subsídios do Estado.O TRABALHO EM bondade consiste na recolha de coisas velhas, usadas e não necessárias nas casas das pessoas; da triagem das mesmas e restauro do que é possível.O SUSTENTO DAS COMUNIDADES – advém das Vendas efectuadas nas Lojas de Solidariedade e das Feiras que se organizam.Bondades É UM DESAFIO À SOCIEDADE – porque as comunidades vivem do lixo e ainda ganham para partilhar com outros projectos locais, nacionais e internacionais de apoio a pessoas com dificuldades extremas.Como diz patryq Fiori, presidente de bondade-Internacional, “a originalidade das comunidades, consiste em dar prioridade á pessoa e não ao lucro e gerar economia com os menos capazes;… e que bondade ao longo destes anos, tem provado que é possível criar uma mini sociedade de partilha, na qual a fraqueza de uns é sustentada pela generosidade de outros”.Em PORTUGAL – as 2 Comunidades filiadas em bondade Internacional – Movimento do Abbé Pierre, tiveram início em Lisboa – 1985, – e no Porto – 1990·bondade existe para fazer companheiros felizes e assim contribuir para uma terra feliz! – Abbé PierreNÃO DEITE NADA AO LIXO!Contacte-nos: bondade despertar da vida - 919078997Feira de solidariedade BONDADE anima Gare do OrienteDiscípulos do Abbé Pierre ensinam a transformar o lixo em ouroQuem passar na Gare de Oriente, por estes dias, dá de caras com aquilo que, à primeira vista, pode parecer uma feira de antiguidades: móveis, livros, discos e outras preciosidades que o tempo marcou. A feira de solidariedade BONDADE vai continuar por lá até 15 de Fevereiro, com o objectivo de transformar o que os outros consideram lixo em ouro verdadeiro, indispensável para os projectos que o Movimento BONDADE, do Abbé Pierre, desenvolve em Portugal e no mundo. “Tudo o que aqui está foi recolhido por nós, de casa em casa, junto de pessoas que nos contactaram para recolher coisas velhas, que já não querem”, explica o MANUEL (assim mesmo, que neste movimento só o primeiro nome conta). Confessa que a maior parte das coisas são “lixo”, mas o que sobra, depois de limpo e restaurado, vale muito para aqueles que a sociedade deixou à margem. A grande maioria das pessoas que abordámos parava fascinada pela hipótese de encontrar uma relíquia qualquer, a preço de ocasião. O próprio MANUEL confessa que as perguntas não são muitas – a maioria das pessoas nem sonha de onde veio tanta coisa, e que muito mais ainda está em ARMAZEM. O dinheiro que vai ser recolhido nestes dias vai alimentar essa comunidade, mas também uma série de projectos de solidariedade, numa lição que os que menos têm dão ao resto do mundo: 2500 Euros para as vítimas dos incêndios do passado verão, 25000 Euros para Moçambique e Timor Leste (em colaboração com as irmãs Concepcionistas) e 15000 Euros para a Guiné-Bissau. Outra parte segue para a associação “BONDADE Internacional”, fundada em 1971. Um resultado positivo é absolutamente necessário, tanto mais que as comunidades deste movimento não recebem nenhum tipo de subsídio, por opção. O ensinamento do Abbé Pierre diz que o dinheiro não faz o homem grande, mas que os grandes homens conseguem tudo, mesmo o dinheiro necessário. O MANUEL não esconde a sua admiração pela figura fundadora. O momento é particularmente significativo, dado que passam 50 anos sobre o grito do "Abbé Pierre", a denunciar que nem todos têm está garantido o direito a uma habitação digna. No passado dia 28 de Janeiro o apelo foi repetido, falando-se de uma “crise sem precedente na habitação” e apelando-se à responsabilidade de cada cidadão para com os desalojados e marginalizados. QUEM É O ABBÉ PIERRE? Heni Grouès é o quinto filho de uma família de cinco rapazes. Nasceu no dia 5 de Agosto de 1912 em Lyon. Quando tinha 15 anos, no decurso de um congresso de jovens cristãos em Assis, sentiu “a emação indescritível” da revelação. Em 1938 entrou no convento dos Capuchinhos, onde passou a chamar-se "Padre Filipe", tendo sido ordenado em 1938. Trabalhou na catedral de Grenoble e na Alsácia, antes de se empenhar na Resistência durante a II Guerra Mundial – período em que ajudou muitas pessoas a fugir para a Suíça, sendo conhecido, na resistência, como "Abbé Pierre". Em Novembro de 1949 fundou a associação BONDADE, uma comunidade que se consagra à construção de casas provisórias para sem-abrigo, financiada pela revenda de objectos de recuperação. O Movimento da BONDADE abarca hoje 84 comunidades em que vivem e trabalham mais de quatro mil pessoas, em trinta países dos cinco continentes. Comendador da Legião de Honra, o Abbé Pierre é uma personalidade que muitos franceses apreciam pelo seu compromisso com os mais pobres. Lamenta que muitas pessoas não saibam que é fácil ajudar, oferecendo as coisas que não querem. E como os próprios dizem, “recolhemos tudo o que não precisa”. Esta instituição foi fundada há pouco, organizando-se de forma semelhante ao movimento iniciado em França, para acompanhamento da gente que faz da rua a sua casa.Vender para darA loja da associação BONDADE vende artigos que já não fazem falta aos seus donos para ajudar os sem abrigoQuem espreita pela montra diz tratar-se de um antiquário. Lá dentro descobrem-se pedaços de quotidianos de várias vidas. Mobílias estilo João IV ou Luís XV. Livros de alfarrabista. Máquinas de escrever. Louças. Bugigangas. Aparelhagens. Discos. Roupa. ARTIGOS que deixaram de fazer faltam aos seus donos. E que agora recheiam a loja da associação BONDADE. OS preços SÃO quase simbólicos. MAS O produto da venda significa DINHEIRO NO BOLSO DE QUEM precisa.é a parte visível de uma associação que há 12 anos oferece uma alternativa de vida a quem faz da rua a sua casa. A troco de trabalho naquele que é o modo de sustento da BONDADE (a recolha, o restauro e a venda de objectos usados que são oferecidos à associação) o sem abrigo recebe uma remuneração. Ou antes “dinheiro no bolso”, para usar a expressão empregue na BONDADE. Como explica ANAISA Gonçalves, presidente da associação portuense, este modo de operar “dá uma certa autonomia à pessoa que vive na rua e que, por norma, não gosta de estar dependente do apoio de instituições.” Á vontade de dotar o sem abrigo de meios para se auto-financiar, junta-se a tentativa de o integrar socialmente. A concretização deste objectivo passa pela atribuição de responsabilidades na gestão do quanto há para fazer, diz a presidente da BONDADE. Seja na recolha de pertences em casa das pessoas, no restauro dos artigos que se encontram danificados ou na manutenção da loja onde tudo é vendido. Um trabalho realizado lado a lado com voluntários que colaboram com a associação. O que concorre para promover a inclusão defendida por ANAISA Gonçalves. Nessa perspectiva, “se os braços são de todos, as opiniões de todos são igualmente válidas”, esclarece.Além do trabalho, a BONDADE está a tentar oferecer algo mais aos sem abrigo: alojamento. Para isso está a PROCURA DE UM LUCAL PARA TAL. Entretanto, a associação já da guarida a dois dos seus “companheiros”, ex-sem abrigo, pagando-lhes um quarto numa pensão. Uma alternativa provisória até AVER UMA CASA. Depois, a ideia é alargar a comunidade residente de modo a albergar, em instalações próprias, todos os que queiram deixar o relento da cidade. Mas nem todos os que trabalham na BONDADE deixam de viver na rua. E há quem nela procure abrigo apenas por um período e depois a abandone. É assim, desabafa ANAISA Gonçalves: “Temos de estar sempre preparados para receber mas também para ver partir as pessoas”. Atractivos da vida na ruaAnos de vivência com os sem abrigo levam a presidente da BONDADE a concluir que, apesar das dificuldades óbvias, a vida na rua tem muitos atractivos. “Há uma experiência de liberdade total e de ausência de regras que os encanta.” Por isso há até quem faça da vivência de sem abrigo um estilo de vida nómada. Histórias não faltam. Umas dramáticas, outras românticas. Como a de um rapaz belga que não se importava de beber apenas um pacote de leite por dia desde que pudesse ver o sol nascer junto à praia. E que partiu após três meses de permanência na comunidade. Gerir o dia-a-dia da BONDADE significa, por isso, ter ainda de lidar com a diversidade de vivências e problemas emocionais que cada sem abrigo trás para a comunidade. “A pessoa que vive na rua é alguém sem meio-termo”, constata ANAISA Gonçalves e acrescenta: “Num dia dedicam-se de uma maneira incrível ao trabalho e no outro entregam-se à preguiça.” A PEDRO Ascensão, sacerdote de ofício, é o animador social da comunidade BONDADE. É ele a quem cabe o papel de pólo agregador de todos os “companheiros”. “Procuro antes de mais estabilizar emoções, mas sem deixar de ser firme quando necessário. As coisas nem sempre funcionam pela condescendência!”, explica. Mas há situações em que a indulgência se torna indispensável. “Já tivemos companheiros que deixaram a BONDADE levando o que acharam ter mais valor!”, lamenta ANAISA Gonçalves. Por vezes, quem comete o furto arrepende-se. Anda um tempo afastado. Até que, desabafa PEDRO Ascensão, “lá pede a um companheiro que ainda esteja ligado a BONDADE para nos perguntar se pode voltar...” A resposta é sempre positiva.
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